Entrevista de Cesare Marrucci

* Entrevista concedida no dia 22\08\10 logo após o término da primeira bateria do Trofeo Linea em Interlagos\SP

* Fonte de imagens: Silvia Linhares

Por Gustavo Quattrone

Descreva um pouco a etapa de hoje:

Piloto Cesare MarrucciEu larguei numa má posição, devido a uma quebra no primeiro treino de ontem. O carro teve de ser concertado às pressas e então, infelizmente, eu sai pra classificação com o carro não devidamente ajustado. Por isso eu não tive condições de aproveitar adequadamente as voltas boas do pneu e consequentemente eu larguei muito atrás.

Na corrida eu consegui me recuperar um pouquinho, larguei bem e imagino que ganhei quatro posições na primeira volta e isso facilitou um pouquinho o trabalho para que eu me classificar num pelotão intermediário. 

Foi uma corrida bem disputada. Mas eu larguei muito atrás. Preciso largar mais na frente, mas eu acho que foi uma boa prova. Agora eu vou largar em 15º, mas talvez tenha alguma desclassificação e eu vá um pouquinho mais pra frente.

Para a próxima bateria, o que esperar?

É difícil falar. Depende do treino de corrida, de quem está na frente, de quem mais está rápido ou não. E as posições dos oito primeiros são invertidas, e isso deve modificar um pouquinho o treino de corrida. Eu espero aproveitar isso pra andar junto com o pessoal da frente. Mas corrida é sempre imprevisível. A gente pretende largar bem e chegar bem, mas não dá pra garantir o lugar.

(Na segunda bateria, CESARE MARRUCCI largou em 13º, conseguiu ultrapassar quatro carros , chegando então na nona posição)


Explique um pouquinho agora sua trajetória nas pistas.

Eu comecei no kart em 1987, num campeonato de corridas de rua que chamava Copa Lenine Severino. Em meu primeiro ano eu ganhei uma corrida (a última da temporada), o que me estimulou. Já no segundo ano eu fui campeão da minha categoria (na mesma Copa).

Fiz um ano de Campeonato Paulista, ainda no kart, aqui em Interlgos. Nesse eu tive a oportunidade de competir com grandes pilotos que vieram a se destacar no automobilismo mundial.   

Daí eu fui para o Campeonato Paulista de F - 1.600, cheguei na quarta colocação no campeonato geral. Depois surgiu o Campeonato Brasileiro de F – UNO. Para mim, na categoria de fórmula era difícil fazer uma carreira internacional. Era muito caro e eu tinha alguns envolvimentos profissionais aqui no Brasil que não me permitia sair fora. Então eu optei pela F – UNO. Disputei ela por três anos e ganhei uma corrida em Londrina/PR.

Piloto Cesare Marrucci 2Depois disso eu fiquei 12 anos fora do automobilismo, voltei em 2006 no Campeonato Paulista de Marcas e Pilotos. Fui vice-campeão no primeiro ano pela categoria Light. Em 2007 eu fui correr na categoria principal onde fui vice-campeão também. Depois eu fui pra Copa Renault Clio (2008).

Foi meu primeiro ano na volta de nacionais. Consegui alguns pódios. Em 2009, ainda na Copa Clio, também consegui alguns pódios. Salvo engano, fiquei em 8º ou 9º lugar no campeonato. E agora surgiu essa oportunidade de entrar para o Trofeo Linea.

Tive a oportunidade de conseguir o apoio da Fuchs que foi o que viabilizou minha presença e minha participação na volta a competir no automobilismo de alto nível.

Você que já participou da Copa Clio, do Campeonato de Marcas, da F – UNO, o que você está achando agora desse Trofeo Linea, da organização do torneio em si.

Foi um campeonato que começou bem mais forte que os outros. O apoio da Família Massa, do Felipe Massa e com a organização do Carlinhos Romagnoli é o diferencial da categoria, juntamente com o apoio maciço da FIAT. Tudo isso atrai público, imprensa, atrai pilotos renomados e pra gente que está no meio isso só ajuda. Quanto mais atenção, quanto mais mídia o evento conseguir é mais interessante para todos que estão envolvidos.

Como você se sente ao correr ao lado de pilotos renomados do automobilismo brasileiro?

Olha, eu me sinto bem, porque o objetivo de todo mundo que está desempenhando algum tipo de atividade é chegar em um nível mais alto. Nós temos por volta de oito pilotos que participam da Stock Car, muitos pilotos renomados. Tenho a oportunidade de ter o Thiago Camilo com meu parceiro. Alguns dos mais antigos eu já tinha relacionamento por já ter corrido junto de Uno. E naquilo que eu me disponho fazer eu estou buscando fazer da melhor forma possível e entre os melhores do país.

Como é a sua parceria com o Thaigo Camilo, ele te passa alguma coisa você pra ele...

Ali é jogo limpo! É bastante transparente. Os acertos (de configuração de carro) são abertos, tanto os que eu uso quanto os que o Thiago usa. O Thiago é um piloto extremamente experiente, veloz e isso ajuda bastante sim. Quando os meus acertos não estão indo muito legal nós usamos o dele. Isso me ajuda bastante.

Por exemplo, nesta etapa aqui eu sai com um ajuste completamente diferente do dele. Nós insistimos bastante sexta-feira, no sábado e talvez fosse até um acerto bom, mas com todas as dificuldades que nós tivemos (quebra do carro no primeiro treino de sábado) nós resolvemos não abusar na hora da corrida. Seria melhor seguir o dele que estava sendo mais rápido e nos pareceu ser um ajuste mais certo.

As diferenças de ajustes do carro de Jacarepaguá e o carro de hoje.

Nós mudamos bantante coisa no carro, eu inclusive já estou mais familiarizado com o carro. Na etapa de Londrina nós andamos um pouco mais pra trás, não foi legal. Aqui, talvez, se não fosse a quebra que tivemos e as dificuldades com os freios nós poderíamos ter largado (na primeira bateria) bem mais a frente. Entre os dez ou doze primeiros seria um resultado justo. 

Para a segunda bateria dá para mexer no carro? Melhorá-lo?

Sim, o pessoal já está mexendo no carro. O carro começou muito bem, mas depois da sexta ou sétima volta ele começou a ter alguns probleminhas na freada e com isso o carro começa a escapar de frente e isso atrapalha bastante. Mas agora nós temos tempo , vamos trocar os pneus da frente, vamos rever alguns ajustes de freio. A equipe está trabalhando em cima disso para me proporcionar um carro bastante competitivo.

Isso acontece com o meu carro e com o carro de todos, então por isso, essa é um novo recomeço, uma nova bateria.

A questão do patrocínio, fundamental?

Carro Linea
Sem dúvida! Esse patrocínio foi decisivo para viabilizar minha participação na categoria. Se eu não conseguisse o patrocínio da Fuchs eu dificilmente estaria no evento. Então eu agradeço ao Abel, uma pessoa que me apoia bastante, quem comprou a ideia daquilo que agente estava ofertando, e que sabe das dificuldades que existe no automobilismo. Ele com certeza foi decisivo para minha participação nas corridas.



 

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